KAVA

Piper methysticum
A Kava tem uma longa tradição de consumo nas ilhas do Pacífico de onde é originária como uma bebida social com efeito tranquilizante [4,6].
A preparação tradicional de bebidas de Kava pelos nativos desta região consiste na pulverização dos rizomas e da raiz finamente divididos (antigamente por mastigação e agora por almofariz e pilão), embebendo, de seguida, o pó em água ou leite de coco e filtrando através de um pano. A bebida é depois servida em copos ou cascas de coco [4-5].
Figura 5: Preparação da bebida de Kava nas ilhas Fiji.
Historicamente, estas bebidas de Kava apresentavam um importante cariz cultural, sendo apenas consumidas por homens com elevado estatuto no país ou em eventos cerimoniais como casamentos e funerais [6]. Hoje em dia, porém, são ingeridas diariamente por muitos dos habitantes da região e de outras onde o consumo tradicional não existia, sendo populares os Bares de Kava (Figura 4) [5].

Figura 6: Bares de Kava.
Nos anos 80, a Kava foi introduzida nas populações aborígenes dos territórios do norte da Austrália na tentativa de reduzir a dependência do álcool na população, que era elevada, e para melhorar a mortalidade associada [7].

Nos EUA e na Europa, as preparações herbais de Kava são comercializadas sobretudo sob a forma de pós para infusões ou como suplementos alimentares (Figura 5) [5]. Estes suplementos têm na sua base extratos de Kava, preparados, normalmente, com o recurso a dois solventes: o álcool e a acetona. Estes solventes permitem uma extração até 30x superior dos compostos ativos, as kavalactonas, que são pouco solúveis em água [2,4].
Figura 7: Produtos de Kava comercializados nos EUA e na Europa.
Os produtos de Kava no mercado são habitualmente padronizados para conterem 30 % de kavalactonas [6]. No entanto, com o aumento da procura de produtos contendo a planta, o controlo de qualidade sobre os mesmos tem sido abreviado e muitos dos pós e extratos comercializados contém até outras partes do arbusto como folhas, caules e cascas, o que pode ter consequências a nível fármaco e toxicológico [8].
A Kava pode ser ainda encontrada à venda online, sendo usada como uma alternativa legal às drogas ilícitas, pelo seu efeito tranquilizante que resulta da depressão do sistema nervoso central que causa [6]. O seu consumo não está associado a dependência [9].
Consumo de Kava
Referências:
[2] Pantano, F., et al., Hepatotoxicity Induced by “the 3Ks”: Kava, Kratom and Khat. International Journal of Molecular Sciences, 2016. 17(4): p. 580.
[4] Products, C.o.H.M., Assessment report on Piper methysticum G. Forst., rhizoma. 2016.
[5] Brown, A.C., et al., Traditional kava beverage consumption and liver function tests in a predominantly Tongan population in Hawaii. Clin Toxicol (Phila), 2007. 45(5): p. 549-56.
[6] Clayton, N.P., et al., Immunohistochemical analysis of expressions of hepatic cytochrome P450 in F344 rats following oral treatment with kava extract. Exp Toxicol Pathol, 2007. 58(4): p. 223-36.
[7] Whitton, P.A., et al., Kava lactones and the kava-kava controversy. Phytochemistry, 2003. 64(3): p. 673-9.
[8] Bodkin, R., et al., Rhabdomyolysis associated with kava ingestion. Am J Emerg Med, 2012. 30(4): p. 635.e1-3.
[9] Sarris, J., et al., Kava for the treatment of generalized anxiety disorder RCT: analysis of adverse reactions, liver function, addiction, and sexual effects. Phytother Res, 2013. 27(11): p. 1723-8.